segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
É a alegria da viagem que realmente importa...
Dois irmãos decidiram cavar um buraco bem profundo atrás de sua casa.
Enquanto estavam trabalhando, dois outros meninos pararam por perto
para observar.
- O que vocês estão fazendo? - perguntou um dos visitantes.
- Nós estamos cavando um buraco para sair do outro lado da terra! - um
dos irmãos respondeu entusiasmado.
Os outros meninos começaram a rir, dizendo aos irmãos que cavar um
buraco que atravessasse toda a terra era impossível.
Após um longo silêncio, um dos escavadores pegou um frasco
completamente cheio de pequenos insetos e pedras valiosas. Ele removeu
a tampa e mostrou o maravilhoso conteúdo aos visitantes gozadores.
Então ele disse confiante,
- Mesmo que nós não cavemos por completo a terra, olha o que nós
encontramos ao longo do caminho!
Seu objetivo era ambicioso, mas fez com que escavassem. E é para isso
que servem os objetivos: fazer com que nos movamos em direção de
nossas escolhas, ou seja, começarmos a escavar! Mas nem todo objetivo
será alcançado inteiramente. Nem todo trabalho terminará com sucesso.
Nem todo esforço será completo. Nem todo sonho será realizado.
Mas quando você não atingir o seu alvo, talvez você possa dizer: sim,
mas vejam o que eu encontrei ao longo do caminho! Vejam as coisas
maravilhosas que surgiram em minha vida porque eu tentei fazer algo!
terça-feira, 17 de novembro de 2009
O futuro.

O FUTURO
Por Max Gehringer
Hoje é 20 de agosto de 2124, quarta-feira, que no Brasil agora se chama Wednesday, já que o português foi oficialmente banido quando nos tornamos o 67º Estado dos United States of Wide America, em 2095. Teve quem não gostou, claro, principalmente depois que a Floresta Amazônica virou a Tropical Disney World, mas a maioria apoiou porque finalmente pôde tirar passaporte americano sem aporrinhação e passou a receber salário em dólar.
É verdade que muitos brasileiros ainda conservam um ranço xenófobo, o que é meu caso, por isso este relatório está sendo escrito em nossa antiga língua-mãe, que eu só domino porque nasci lá no distante 1980. Fiz 144 anos, trabalho há 126, estou forte e saudável, mas já ouço insinuações de que minha carreira entrou no plano vegetativo.
A vida corporativa do século XXII não é justa com o pessoal da sexta idade, como eu: basta a gente chegar aos 140, e começa a ser discriminado no trabalho... Os velhos tempos me dão saudade (uma de nossas poucas palavras que entraram no Mega Dicionário Americano, como sinônimo para "senseless feeling"), apesar de quase mais nada ser como era.
Por exemplo, eu nasci com unha, cabelo e dente, últimos resquícios de nossa ascendência selvagem. E na juventude pratiquei zelosamente um ato denominado "sexual" para reprodução da espécie, coisa que, hoje, a ciência simplificou muito: basta ir a qualquer McDonald's, comprar um kit de óvulo e espermatozóide (o número 3 tem sido o preferido pelos consumidores, porque acompanha uma Coca-Cola grátis) e inseri-lo num tubo plugado a um sistema embrionário - cujo nome técnico é "tamagoshi".
Aí, é só redigitar a configuração desejada do genoma e depois ir clicando os comandos para as cargas vitais de proteínas. Simples. Em seis semanas, aparece a ficha fitoergométrica da criança, os custos de alimentação e educação e a mensagem "Are you sure you want to give birth?"
Meu filho mais novo, o 365A27W648, vulgo "8", agora deu de ser curioso e me perguntar porque no meu tempo as coisas eram tão complicadas. Eu tentei explicar para ele que o tal ato ia além da simples reprodução, que a gente sentia prazer em copular, e ele fez aquela cara de nojo, típica de adolescente recém-saído da universidade.
Mas, tudo bem, ele tem só 4 anos, um dia talvez entenda melhor. Eu sei, estou divagando, desculpem. Não é das reviravoltas da natureza que este relatório trata, e sim das relações no trabalho. Meu hiperboss vai fazer uma apresentação no mês que vem, em Urano - com o criativo título de "Como Enfrentar os Desafios do Século XXII" -, e pediu minha colaboração. Ele quer mostrar às novas gerações a evolução da interação entre empresas e funcionários ao longo dos últimos 150 anos, desde a chamada "Era Jurássica Trabalhista" (1980-2020) até o aparecimento do "Homo Pizza", no final do século XXI. E me escolheu porque eu vivi todas as etapas do processo, além de ser o único por aqui que ainda sabe usar algarismos romanos. Então, vamos lá:
TRANSPORTE
Os empregados acordavam de manhã e iam para seu local de trabalho dirigindo um veículo pesadão e lerdo, que funcionava queimando derivados do extinto petróleo, chamado "automóvel" - não sei bem por que esse nome, que significa "move-se por si mesmo", já que o tal veículo só se movia sob comando humano e, algumas vezes, nem assim. Mas a maior dificuldade era enfrentar o "trânsito", do latim transire, "ir para a frente", e esse era exatamente o problema, já que o trânsito quase nunca ia em frente, e daí originou-se uma frase de uso muito comum, Atrasei por causa do trânsito", que literalmente significa "Fiquei para trás porque fui para a frente". Ou seja, aquele povo era duro de entender. O mais incrível é que, apesar de tanta confusão e contrariando a lógica, as pessoas ainda conseguiam chegar ao que chamavam "local de trabalho".
LOCAL
O sistema jurássico de trabalho era coletivo, e as empresas até usavam jargões como "teamwork" para incentivar essas glomerações, sem atentar para o fato de que elas eram uma fonte de proliferação de micróbios. O ponto de encontro era o escritório, um lugar onde os dicionários escreviam, daí a origem da palavra. Eram áreas enormes, onde pessoas se amontoavam em cubículos e passavam a maior parte do tempo produzindo "documentos", cuja principal finalidade era a de servir como evidência física de que as pessoas estavam ocupadas. Após produzidos, os documentos eram imediatamente "arquivados", de preferência em lugares onde nunca mais pudessem ser localizados. Isso na época tinha o mesmo nome de hoje, "burocracia". A diferença é que os atrasados do século XX faziam tudo com oito cópias, e nós, 150 anos depois, conseguimos reduzir para sete.
INDIVIDUALIDADE
O primeiro passo para erradicar o coletivismo inútil foi o "SoHo" (Small office, Home office), uma sigla surgida aí por 2000, que permitia aos funcionários trabalhar, confortável e produtivamente, em suas próprias casas. No Brasil, uma das conseqüências imediatas do SoHo foi o aparecimento de uma variante esperta, o "SoNo". O que obviamente implicou num aumento brutal da quantidade de documentos produzidos, porque só assim os chefes acreditariam que seus funcionários estavam acordados em suas casas. Depois do SoHo veio o "SoCo", aí por 2050. O "Co", todo mundo sabe, significa Chip office. Foi quando as corporações conseguiram implantar um microchip em cada funcionário para controlá-lo 24 horas por dia, desde o batimento cardíaco até o nível de atividade dos neurônios. Uma das características do SoCo que mais agradou às chefias - além do comando de "wake upcall" - foi a possibilidade de emitir um choque elétrico remoto quando o funcionário atrasasse a remessa de um documento.
JORNADA
Trabalha-se oficialmente 2 horas por semana, mas já há rumores de que a jornada será reduzida para 100 minutos semanais. O que, tirando o tempo necessário para o sono e as inconveniências fisiológicas - que não sofreram alterações nos últimos 100 000 anos -, dá umas 120 horas ociosas por semana. O professor Domenico De Masi, que vive em estado de hibernação metafísica na Itália, afirma que isso é um absurdo, e defende a tese de que no futuro trabalharemos 100 minutos por ano. Mas o problema, mesmo, é que nunca conseguimos nos acostumar com o ócio. Por isso, nossa maior fonte de renda atual é a hora extra - fazemos, em média, 14 delas por dia, inclusive aos sábados.
EFEITOS COLATERAIS
Hoje, as megacorporações vêm se questionando se essa troca do trabalho grupal pelo individual foi realmente um progresso. Primeiro, porque ninguém mais conhece ninguém, já que os "colegas" viraram imagens digitalizadas. Segundo, porque todo mundo ficou sedentário e engordou uma barbaridade. E terceiro porque os antigos executivos eram estressados, e os novos sucumbem à depressão, o que acarreta muitos suicídios (ou, em linguagem ciberneticamente correta, self ctrl+alt+del). O maior guru de administração do século XXII - Tom Peters, vivendo confortavelmente em estado gasoso, num tubo de ensaio - publicou recentemente um artigo que está causando uma comoção corporativa. Ele defende a tese de que "nada substitui o contato humano". Incrível, dizem seus fiéis admiradores, que ninguém tivesse pensado nisso ainda.
EMPREGO
Conseguir um bom emprego hoje em dia não é difícil. O duro é se manter nele, porque as exigências para resultados de curtíssimo prazo aumentam cada vez mais. O tempo médio de permanência num emprego é de 28 horas. Daí o conceito em moda ser o da habilidade para saltar de galho em galho, ou "businessbilidade", que se resume a três fatores: experiência cósmica, formação galáctica e ser bem relacionado com quem manda.
SEXO
As diferenças entre sexos não são mais limitantes para o preenchimento de um cargo. Não porque tenha acabado a discriminação, mas porque acabaram os sexos. A antiga classificação "masculino/feminino/outros" caiu em desuso a partir do momento em que os assim chamados "homens" e "mulheres" equilibraram seus níveis de testosteronas e estrógenos. A ambivalência chegou a tal ponto que hoje os dicionários só registram a palavra "testículo" como sinônimo de "pequeno teste aplicado a estagiários".
HIERARQUIA
Nos tempos primitivos, as posições hierárquicas eram decididas ou por competência ou por protecionismo. Mas levava vantagem quem acumulava mais diplomas. Tudo mudou a partir do momento em que foi implantado o sistema de "Transferência Integral de Informações", pelo qual qualquer ser humano, quando completa 2 anos de idade, é acoplado a um megacomputador DeepBlue e absorve, em 15 minutos, o conhecimento acumulado pela espécie nos últimos dez milênios. Tem aí uma novíssima teoria dizendo que isso nos transformou numa raça de esponjas, e que o grande diferencial atual é saber pensar por conta própria, em vez de enfiar o dedo no nariz e dar um "retrieve". Segundo a teoria, há uma minoria de pensantes que consegue se perpetuar nas chefias porque tem "Inteligência Psicoemocional", ou seja, uma combinação balanceada de "instinto", "conhecimento" e autocontrole". Eu acho que já ouvi isso antes, só que não me lembro bem quando foi.
RELACIONAMENTO
Os funcionários têm abertura para se comunicar fora do trabalho, desde que respeitem o conceito-chave do século XXII: Lógica Absoluta, ou seja, os assuntos devem ficar restritos aos negócios. Sentimentos e emoções, manifestações consideradas contraproducentes, estão proibidas desde 2104. Mas sempre tem quem não sabe aproveitar a liberdade: nosso maior problema social são os subversivos que se reúnem escondidos para praticar o maior delito da atualidade: rir e contar piadas. Não é por acaso que o maior best-seller desta semana é o cibertexto de auto-ajuda "Você Pode Ser Feliz, Desde Que Ninguém Saiba".
INFERNET
A arcaica Internet, uma rede de comunicação que causou furor no fim do século XX, e que hoje é citada como exemplo de paranóia coletiva, foi substituída pela Infernet, à qual todos somos plugados logo ao nascermos. A palavra veio do latim infernus, "subterrâneo", uma analogia a seu formato de raízes que alimentam o caule central. O caule, de onde saem e para onde convergem todas as informações, é a Suprema Inquisição, cuja regra é "Todos somos iguais perante Deus". Sendo que Deus, como todos sabem, é Bill Gates. Embora corra por aí o boato de que quem manda, mesmo, é o ACM.
CONCLUSÃO
Em meus 144 anos, vi o futuro ir acontecendo, e aprendi pelo menos uma coisa: as previsões estavam sempre erradas. Acho que descobri o porquê. Outro dia achei um livro antigo, que já caiu em desuso por ser a negação da lógica. De qualquer forma, lá foi escrito, há milhares de anos, que cada dia é diferente do outro, exatamente "para que o homem nunca possa descobrir nada sobre seu próprio futuro" (Eclesiastes, 7, 14).
sábado, 14 de novembro de 2009
VOCÊ SABE EVANGELIZAR? More Ready than you Realize

McLaren levantou oito fatores que devem influenciar a evangelização hoje, de forma bem sumarizada, listo-os abaixo:
1. O Fator Relacional: O que conta são os relacionamentos que levam às conversas espirituais. Você começa o evangelismo não por ser religioso, mas em ser humano, no relacionamento, não em mostrar as regras religiosas e a devoção do dia a dia.
2. O Fator Narrativo: Ouça suas histórias, divida sua história e divida a história de Deus, não somente fórmulas ou proposições
3. O Fator Comunidade: Aguarde que a conversão ocorra normalmente no contexto de vida em uma comunidade autêntica e que não se restrinja ao contexto de busca de informações.
4. O Fator da Jornada: Veja o discipulado visando um processo holístico que não tem um ponto final, não visando somente o evento da conversão.
5. O Fator Espírito Santo: Creia que Deus trabalha “por fora” em todas as pessoas (tanto trabalhando nas pessoas cristãs para trazer outros para fé tanto nelas mesmo para cruzarem a linha da fé), não somente “dentro” da igreja.
6. O Fator do Aprendizado: Veja o evangelismo como parte de seu discipulado – não somente para o aprendizado da outra pessoa.
7. O Fator Missionário: Veja o evangelismo como recrutar pessoas para a missão de Deus na terra, não somente para levá-los ao céu.
8. O Fator Serviço: Veja evangelismo como uma face de nossa identidade como servos.
Retirado de: http://solomon1.com/a/2009/12/voce-sabe-evangelizar-more-ready-than-you-realize/Fonte Original: http://www.ednewday.blogspot.com/
quarta-feira, 15 de julho de 2009
O manual do guerrilheiro

No mês passado, 3.000 pessoas se reuniram no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, num protesto organizado por um certo Movimento dos Sem Namorados. Uma passeata nos mesmos moldes havia sido realizada dois dias antes no Rio de Janeiro, levando 500 pessoas a caminhar pelas ruas do centro da cidade em plena sexta-feira, protestando contra o fato de estarem sem um par a poucas semanas do Dia dos Namorados. As manifestações eram, na verdade, uma ação de marketing do site de relacionamento ParPerfeito. Duas semanas antes, a empresa carioca Biruta Mídias Mirabolantes, especializada em ações inusitadas, havia recebido do site a missão de elaborar uma campanha para o Dia dos Namorados com apenas 60 000 reais. Com esse dinheiro, não se compra mais do que um quarto de página de espaço publicitário num jornal de grande circulação. Mas as passeatas renderam mais de 300 matérias de TV, rádio, jornal e internet, o equivalente a 10 milhões de reais em mídia espontânea.
A ação foi um dos mais bem-sucedidos casos de marketing de guerrilha, como são chamadas essas ações promocionais realizadas nas ruas, quase sempre envolvendo o uso da internet, com baixo investimento e que buscam a repercussão por meio do bom e velho boca a boca. A tática de guerrilha se enquadra na categoria do marketing que os americanos definem como bellow the line - ou seja, ações paralelas à publicidade tradicional, voltada para a comunicação de massa. "O marketing de guerrilha se tornou uma opção a mais numa categoria que envolve atividades como eventos, promoções em ponto de venda, e até mesmo ao outdoor, que depois de proibido em São Paulo cedeu espaço a outras iniciativas de baixo custo", diz Rafael Liporace, sócio da Biruta. O número de ações realizadas pela agência reflete essa súbita procura. A Biruta deve fechar 2009 com 270 ações, ante as 88 realizadas em 2006.
As empresas que investem em marketing de guerrilha se dividem basicamente em dois grupos. O primeiro reúne companhias sem recursos para investir em propaganda tradicional. É o caso do site ParPerfeito, que usa basicamente anúncios na internet para se promover e agora busca projeção além dos limites da web. No segundo grupo estão empresas com tradição em investimentos em publicidade convencional mas que procuram diversificar as formas de atingir os consumidores. É o caso da Cadbury Adams, gigante global de chocolates, balas e gomas de mascar. Em novembro, a empresa estreou na guerrilha com uma ação um tanto quanto bizarra promovida pela agência paulista Espalhe para a marca Trident. Para divulgar uma versão da goma de mascar cujo sabor dura mais tempo, o ator Cauã Reymond foi contratado para fazer um filme em que mascava um chiclete durante 15 minutos. O filme foi levado ao ar num site da internet e o chiclete mascado acabou leiloado para fãs interessadas em confirmar se o sabor havia resistido à sessão de mastigação do ator. Foi arrematado por 349 reais. Logo depois, a Cadbury partiu para uma segunda ação, batizada de Speed Dating. Na ação, o metrô de Porto Alegre foi fechado na noite do último dia 20 de junho para realizar o primeiro encontro de 48 casais selecionados por um site de relacionamento montado para a campanha. "São iniciativas pontuais, relativamente restritas, mas que chamam muito a atenção", diz Emilia Bertolli, porta-voz da Cadbury no Brasil.
Da mesma forma que a Cadbury Adams, grandes anunciantes, como Claro, Shell, Gafisa, Cyrela e SulAmérica, descobriram a guerrilha como um recurso extra para reforçar suas marcas (veja quadro). No entanto, produzir ações desse tipo requer cuidados. Normalmente, as ações de guerrilha são planejadas em conjunto com a agência de publicidade responsável pela propaganda das empresas. No caso da carioca Biruta, por exemplo, 60% dos projetos são feitos sob encomenda das agências. Isso permite um alinhamento entre as ações relativamente anárquicas dos guerrilheiros e a linha geral do marketing. Uma ação de guerrilha mal planejada ou conduzida de forma amadora pode resultar em desastres para a imagem. Recentemente, o Greenpeace promoveu uma ação de guerrilha no vão central da ponte Rio-Niterói. Realizada de forma clandestina e sem autorização oficial, a ação provocou um engarrafamento de 5 quilômetros nos acessos à ponte e protestos indignados de motoristas contra a entidade em sites como Twitter e Orkut. Em sua afoiteza por aparecer, os verdes do Greenpeace violaram um princípio básico do manual do guerrilheiro: a falta de estratégia é um erro fatal.
http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0946/marketing/manual-guerrilheiro-479109.html
domingo, 12 de julho de 2009
Um Manifesto Incompleto Para Crescimento

Escrito em 1998, o Manifesto Incompleto é uma articulação de declarações exemplificando as crenças, estratégias e motivações de Bruce Mau. Coletivamente, elas são como nós nos dedicamos em todos os projetos.
1 - Permita que os eventos te mudem
Você deve desejar crescer. Crescimento é diferente de alguma coisa que acontece com você. Você produz isso. Você vive isso. Os pré-requisitos para crescimento são: Abertura para experimentar eventos e a vontade de ser mudado por eles.
2 - Esqueça o bom
Bom é quantitativo. Bom é o que todos concordam. Crescimento não é necessariamente bom. Crescimento é uma exploração continua que pode ou não colaborar com a nossa pesquisa. Enquanto você se apegar ao bom, nunca vai experimentar crescimento verdadeiro
3 - Processo é mais importante que resultado
Quando o resultado conduz o processo nós sempre vamos chegar onde já estivemos. Se o processo conduz ao resultado nós podemos não saber aonde estamos indo, mas sabemos que queremos estar lá.
4 - Ame seus experimentos (como você amaria um filho feio)
Alegria é o motor do crescimento. Explore a liberdidade de considerar seu trabalho como experimentos lindos, iterações, tentativas, testes e erros. Mude sua perspectiva e permita-se a diversão de falhar todo dia.
5 - Vá fundo
Quanto mais fundo você for, maiores as chances de descobrir algo de valor.
6 - Colecione acidentes
A resposta errada é a resposta certa na busca por uma questão diferente. Colecione respostas erradas como parte do processo. Faça perguntas diferentes.
7- Estude
Estúdio é um lugar de estudo. Use a necessidade de produção como uma desculpa para estudar. Todos saem ganhando.
8 - Explore
Permita-se vagar sem destino. Explore adjacências. Julgue menos. Adie as críticas
9 - Comece em qualquer lugar
John Cage nos diz que não saber por onde começar é uma forma de paralisia. Seu conselho é: Comece em qualquer lugar.
10 - Todo mundo é um líder
Crescimento acontece. Quando acontecer permita que ele apareça. Aprenda a seguir quando faz sentido. Deixe qualquer um liderar.
11 - Colha idéias
Idéias precisam de um ambiente dinâmico, fluido e generoso para viver. Aplicações, por outro lado, se beneficiam de rigor crítico. Produza um alto índice de idéias por aplicações.
12 - Siga em frente
O mercado e suas operações têm uma tendência a reforçar o sucesso. Resista. Permita que a falha e migração façam parte da sua prática.
13 - Diminua o ritmo
Desincronize das janelas de tempo padrão e oportunidades surpreendentes podem se apresentar
14 - Não seja cool
Cool é medo conservador vestido de preto. Liberte-se desse tipo de limitação.
15 - Faça perguntas idiotas
Crescimento é alimentado por desejo e inocência. Julgue a resposta, não a pergunta. Imagine aprender por toda a sua vida no ritmo de uma criança
16 - Colabore
O espaço entre pessoas trabalhando juntas é cheio de conflitos, atritos, alegria, prazer e vasto potencial criativo
17 - _______________________________
Intencionalmente deixado em branco. Permita espaço para as idéias que você ainda não teve, e para idéias de outros.
18 - Fique acordado até tarde
Coisas estranhas acontecem quando você foi longe demais, ficou acordado por tempo demais, trabalhou demais e ficou isolado do resto do mundo.
19 - Trabalhe a metáfora
Tudo tem a capacidade de representar algo além do que aparenta. Trabalhe a sua representação.
20 - Tome cuidado ao se arriscar
Tempo é genético. Hoje é o filho de ontem e o pai do amanhã. O que você produz hoje criará o seu futuro.
21 - Repita-se
Se você gosta, faça de novo. Se você não gosta, faça de novo.
22 - Faça suas próprias ferramentas
Combine suas ferramentas para construir coisas únicas. Até mesmo simples ferramentas próprias podem revelar novos caminhos a serem explorados. Lembre-se, ferramentas amplificam nossas capacidades, então até mesmo uma ferramenta pequena pode fazer uma grande diferença.
23 - Apóie-se em alguém
Você pode ir mais longe levado pelas conquistas de quem veio antes de você. E a vista é muito melhor.
24 - Evite software
O problema do software é que todo mundo tem.
25 - Não arrume sua mesa
Você pode encontrar alguma coisa de manhã que você não viu de noite.
26 - Não entre em competições
Apenas não entre. Não faz bem pra você.
27 - Leia só as páginas da esquerda
Marshall McLuhan fez isso. Diminuindo a quantidade de informação, criamos espaço para que ele chamou de “noodle”.
28 - Crie palavras novas
Expanda o léxico. Novas condições exigem uma nova maneira de pensar. O pensamento exige novas formas de expressão. A expressão gera novas condições.
29 - Pense com sua mente
Esqueça a tecnoogia. Criatividade não é dependente de aparelhagem
30 - Organização = Liberdade
Verdadeira inovação em design ou qualquer outro campo acontece em contexto. Esse contexto é normalmente algum tipo de empresa gerenciada colaborativamente, Frank Gehry por exemplo, só conseguiu fazer o Bilbao por que seu estúdio pôde entregar dentro do orçamento. O mito da divisão entre “criativos” e “engravatados” é o que Leonard Cohen chama de ‘um artefato charmoso do passado’
31 - Não pegue dinheiro emprestado
Mais uma vez, um conselho de Frank Gehry. Mantendo controle financeiro, mantemos controle criativo. Não é física quântica, mas é surpreendente como é difícil manter essa disciplina, e quantos tantos falharam.
33 - Viaje
A tamanho do mundo é muito maior do que o da sua TV, da internet ou mesmo de um ambiente totalmente imersivo, interativo, renderizado dinamicamente, orientado a objeto, real-time computadorizado.
32 - Ouça com atenção
Todo colaborador que entra na nossa órbita traz consigo um mundo mais estranho e complexo do que jamais poderíamos imaginar. Ouvindo os detalhes e as sutilezas das suas necessidades, desejo ou ambições, nós conectamos seu mundo ao nosso. Nenhum dos lados jamais será o mesmo novamente.
34 - Cometa erros mais rápido
Não é minha idéia – Eu peguei emprestado. Eu acho que pertence a Andy Grove.
35 - Imite
Não tenha vergonha. Tente chegar o mais próximo que você conseguir. Você nunca vai conseguir fazer igual, e as diferenças podem ser realmente fantásticas. Precisamos apenas olhar para Richard Hamilton e a sua versão de “O grande vidro” de Marcel Duchamp para ver quão rico, descreditado e sub-utilizada é a técnica da imitação.
36 - Improvise
Quando você esquecer as palavras, faça o que Ella (Fitzgerald) fazia: Crie outra coisa qualquer… Menos palavras.
37 - Quebre, estique, entorte, amasse, rache, dobre
38 - Explore a outra ponta
Existe uma enorme liberdade quando evitamos tentar seguir a tecnologia. Nós não conseguimos encontrar a inovação por que está escondida no caminho. Experimente usar equipamentos antigos que se tornaram obsoletos pelo ciclo econômico, mas ainda possuem um potencial rico
39 - Pausas para café, taxis e parques
Crescimento de verdade geralmente acontece longe de onde nós esperamos, nos espaços intermediários – O que Dr. Seuss chama de “locais de espera”. Hans ulrich Obrist uma vez organizou uma conferência de arte e ciência com toda a infraestrutura de uma conferência – as festas, conversas, almoços, recepções – mas sem a conferência em si. Aparentemente foi um enorme sucesso e gerou muitas parcerias e colaborações.
40 - Evite campos
Pule cercas. Limites disciplinares e regimes regrados são tentativas de controlar a vida criativa. Geralmente são esforços compreensíveis de ordenar processos multifacetados e complexos. Nosso trabalho é pular as cercas e cruzar os campos.
41 - Ria
Pessoas que visitam nosso estúdio quase sempre comentam sobre o quanto nós rimos. Desde que nos conscientizamos disso, usamos como um medidor de quão confortável estamos para nos expressar.
42 - Lembre-se
Crescimento só é possível como um produto da história. Sem memória, inovação é apenas novidade. História dá uma direção ao crescimento. Mas uma memória nunca é perfeita. Cada memória é uma imagem desgastada ou composta de um momento ou evento passado. É isso que nos torna consciente de sua qualidade como passado e não presente. Significa que cada memória é nova, uma construção parcial diferente de sua fonte, e como tal, um potencial de crescimento em si mesma
43 - Poder para o povo
As coisas só podem acontecer quando as pessoas sentem que têm o controle sobre suas vidas. Não podemos ser agentes livres se não somos livres.
Texto original em inglês aqui
Traduzido por Guilherme Menga.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
DESLIGUE-SE DA DÚVIDA
As suas dúvidas não têm absolutamente nenhum poder, a não ser aquele que você lhes delega.
Conseqüentemente, a qualquer momento você pode se desligar delas. Dúvidas, temores e pensamentos pequenos e negativos podem se tornar muito familiares, a ponto de você achar que já fazem parte de você. Só que eles não são parte integrante sua, mas tão-somente algo em que você decidiu se manter conectado. Essa é a má noticia. A boa noticia, porém, é que quando você optar pelo contrário eles poderão ser anulados.
Imagine viver completamente livre da dúvida, das ansiedades, dos medos...
Siga agora para lá da imaginação, e creia que isso é realmente possível!
Deus, mediante seu amor incrível e sua inigualável compaixão, que excede todo entendimento, tem nos dado os elementos necessários para nos desligarmos do medo e da dúvida. Você não precisa de uma grande fé para derrotar esses vilões escravizantes. Tudo de que você precisa é de um mínimo de fé, depositada no grande e poderoso Deus.
Não existe mais razão alguma para que você tenha de suportar um minuto sequer sem ser nada menos do que o melhor que você pode ser. Desligue-se do receio e da dúvida - isso realmente é possível -, e experimente a deliciosa liberdade de viver!
Para Meditação:
Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida. Peça-a, porém, com fé, sem duvidar, pois aquele que duvida é semelhante à onda do mar, levada e agitada pelo vento. Não pense tal homem que receberá coisa alguma do Senhor; é alguém que tem mente dividida, instável em tudo o que faz. Tiago 1:5-8
(Desconhecido)
terça-feira, 7 de julho de 2009
Quem tem medo de mudar passa a vida sem viver
Prof. Gretz
"Se ficar melhor, estraga". De vez em quando escuto alguém dizer esta frase, que, embora espirituosa, expressa claramente um medo de mudar.
Acontece que viver é um processo de mudança contínua e toda mudança está ligada a riscos. Isso ocorre nas mais diversas situações da vida, desde o momento em que estamos para nascer. O que sente o bebê quando chega a hora de sair daquela vidinha tranqüila e vir aqui para fora? A gente não se lembra, mas deve dar medo, principalmente quando o médico nos segura pelos pés e dá umas palmadinhas. E nesse momento, em que tudo nos é desconhecido, está começando uma vida inteira.
Muitas pessoas preferem trocar sua capacidade criativa, seus talentos inexplorados e até mesmo a possibilidade de melhorias, por uma suposta estabilidade. Assim fazendo, esquecem que nem mesmo teríamos aprendido a andar a não ser na base do acerto e do erro. A criança ousa levantar e cai. Levanta novamente e cai. E continua insistindo até que uma sensacional mudança se implanta em sua vida: ela passa a caminhar por conta própria.
"Ah, está bom assim. Para que mudar?" – Essa frase, infelizmente é muito comum, e não só quando o time está ganhando. A maioria das pessoas prefere deixar as coisas como estão, pois já conhecem e sabem lidar com o que possa acontecer. Em muitos ambientes de trabalho vigora aquela filosofia terrível: "Quem trabalha muito erra muito, quem trabalha pouco erra pouco e quem não faz nada não erra." Conheci gente que passou toda a carreira fazendo o mínimo necessário para que nada arriscasse o seu posto e a sua futura aposentadoria. O que alguém assim terá para se lembrar e contar para os netos? Será que vale a pena passar pela vida sem viver?
Mudanças são feitas de acertos e erros: sempre que você se propõe a mudar alguma coisa, está se oxigenando. Se Thomas Edison não tivesse tentado e errado por centenas de vezes, jamais teria conseguido criar a lâmpada elétrica.
Assim é a história de todos os inventos, descobertas e progressos em geral. Tanto nas situações mais simples do dia-a-dia quanto nas grandes decisões da nossa vida, nada vai adiante sem alguma dose de risco.
Por medo do desconhecido, as pessoas se apegam até mesmo aos problemas. No livro "Conspiração Aquariana", Marly Ferguson conta uma história muito interessante sobre isso. Ao receberem a notícia de que um bando de bárbaros estava se preparando para invadir sua cidade, os habitantes entraram em pânico. "Os bárbaros estão chegando! E agora? O que faremos?!" Parou tudo e as pessoas passaram a viver confusamente, em meio a esse pânico. Nada valia a pena, porque os bárbaros estavam para chegar e seria um caos. Só que os anunciados invasores não apareceram. Era boato, ou desistiram de invadir aquela cidade. E o que antes era pânico tornou-se perplexidade: "Mas então os bárbaros não estão chegando? E agora? O que faremos?"
Nos últimos anos, muita coisa tem mudado para melhor em nosso País e inúmeras empresas – ou seja, inúmeros empresários e profissionais – ficam sem saber como agir na nova realidade. "A inflação acabou; e agora? Como vamos administrar nossos investimentos?" "O mercado mudou; e agora? Como vamos fazer?" O apego a paradigmas obsoletos (ou a problemas, muitas vezes ilusórios, como os bárbaros da história) retarda qualquer possibilidade de mudança.
A vida não pára. Em nosso corpo, as moléculas mudam incessantemente. O sangue circula e se renova sem parar. E vamos seguindo através do tempo, como um rio que flui em seu leito e que nunca é o mesmo de instantes atrás. "Águas paradas não movem moinho", diz um antigo ditado, e são propícias a doenças, como a dengue.Fonte: http://www.gretz.com.br/artigos/medo.htm
sábado, 27 de junho de 2009
Muitos cristãos são insuportáveis.
Eu amo Jesus. O que me deixa maluco são seus seguidores. Para ser sincero, não gosto de muitos cristãos. Note bem, eu não disse “alguns” cristãos; eu disse “muitos”. Não gosto deles — não gosto mesmo, nem um pouquinho. Por várias vezes, prefiro andar com gente doida, profana, incrédula e perdida do que com aqueles que se dizem cristãos, mas, na verdade, são fariseus de mente limitada e metidos a críticos.
Tenho um amigo que é pastor de uma grande igreja. Certa vez, durante uma entrevista, ele disse ao repórter que orava seis horas por dia. O jornalista, muito impressionado, perguntou por que ele orava tanto tempo. O pastor respondeu, com toda franqueza: “Minha igreja é muito grande, e odeio muitas pessoas que fazem parte de-la. Preciso orar seis horas por dia para que Deus me ajude a amá-las”.
Gostaria de amar todos os cristãos, mas não consigo. E vou enumerar algumas razões pelas quais isso acontece.
Não gosto de muitos cristãos pela capacidade que possuem de ser terrivelmente críticos. Eles assumem aquela pose do tipo sou-mais-santo-que-você e se consideram melhores do que todo mundo. Brigam e discutem pelos motivos mais ridículos.
• “Você está lendo a versão errada da Bíblia.”
• “O estilo de louvor de sua igreja é sem graça.”
• “O ensino sobre o Antigo Testamento é insuficiente.”
• “Por que não prega mais sermões expositivos?”
• “Sua igreja deveria realizar mais trabalhos evangelísticos.”
• “Você é por demais evangelista, devia se preocupar mais com o discipulado.”
Esses especialistas em igreja costumam ser os mesmos que não sabem dizer o nome do vizinho não-cristão. Aaaarghhh! Fico doen-te com esse tipo de gente. E quando o tema da conversa ultrapassa as questões da igreja, a coisa é ainda pior:
• “Evangélicos só devem assistir a filmes cristãos, que não são violentos.” (Adorei ver a cara dessas pessoas quando A paixão de Cristo, de Mel Gibson, foi lançado.)
• “Quem ouve música do mundo vai para o inferno.”
• “Cristão não faz tatuagem.”
• “Os Teletubbies são coisa do Diabo.”
• “Cristão de verdade não vai à Disney.”
Não consigo imaginar Jesus escrevendo frases como essas no chão.
Outro tipo que faz meu estômago revirar é aquele pregador fu-rioso: “Se você não se converter, vai queimar no inferno, pecador!”. Por experiência, posso dizer que os pregadores nervosinhos em geral pecam tanto quanto (ou mais do que) as pessoas a quem costumam pregar.
Se o que você leu até agora ainda não é suficiente para convencê-lo, ainda há mais: certos cristãos são muito esquisitos. É só dar uma olhada nos programas evangélicos exibidos na televisão. Alguns deles complicam muito o meu trabalho. Em tese, remo no mesmo barco, mas confesso que fico tentado a fazer piada das muitas bobagens que vejo.
Não é de admirar que não-cristãos assistam a esses programas só para rir. Sei que há muitos ministérios cristãos sérios que ocupam espaços na grade de horários da televisão, e dou o maior apoio. Mas, sejamos sinceros, existe muita coisa bastante bizarra para ver.
Se você se sente ofendido com o que acabou de ler, peço que coloque a mão na consciência e seja franco: já reparou no jeito que muitos televangelistas se vestem? Junte-se a isso a maquiagem forte e o cabelo cheio de laquê das mulheres desses pastores-apresentadores. Parece até um cafetão acompanhado de uma perua — é possível até que um cafetão e uma perua de verdade se vistam e se maquiem melhor.
Isso sem falar no grande engodo que é o discurso antibíblico: “Deus quer que seus filhos sejam ricos, por isso posso andar por aí em carros de luxo”. Para completar, eles ainda pregam no melhor estilo vou-pegar-seu-dinheiro, finalizando todas as falas com aquele “amém?” constrangedor. “Jesus ressuscitou dentre os mortos, amém? E ele está pronto para perdoar seus pecados, amém? Clame pelo Senhor agora, amém?”. Isso me embrulha o estômago, amém?
O que é isso?
O pior de tudo, porém, é o potencial de certos evangélicos à hipocrisia mais nojenta. São capazes de dizer uma coisa e fazer outra completamente diferente. Isso não apenas macula o nome de Jesus, como também fornece mais munição para esse mundo incrédulo usar contra o corpo de Cristo. É como o sujeito que procurou certo pastor protestante e perguntou:
— Pastor, será que o senhor faria o funeral de meu cachorro?
— Não fazemos funerais de cachorros — o pastor respondeu.
— Que pena — disse o homem, aparentemente decepcionado, mas rindo por dentro. — Eu estava disposto a fazer uma oferta de 100 mil para a igreja. Pelo jeito, terei de procurar outra.
— Opa, espere um pouquinho — reagiu o pastor. — Por que você não disse antes que seu cachorro era protestante?
Essas são algumas das razões pelas quais não gosto de muitos cristãos. Para falar a verdade, muitos deles também não gostam de mim. Dizem que sou radical demais. Que minha teologia é rasa. Que sou bom mesmo é de marketing. E meu pecado imperdoável: sou pastor de uma “megaigreja” (o que, automaticamente, faz de mim um egocêntrico que só se preocupa com dinheiro).
Agora que meus motivos já estão expostos, podemos começar. Espero que cheguemos aonde Deus deseja: um lugar que, provavelmente, não é o que ocupo agora. De qualquer maneira, sinto-me melhor depois de desabafar. Obrigado pela atenção que me dispensou até agora.
O cristão de quem menos gosto
Se você acha que minha cisma é apenas com evangélicos de outras igrejas, está enganado. Quando olho para minha igreja, encontro muitas pessoas das quais também não gosto. Não tenho o menor interesse em saber o que querem e como vivem. Fico bastante perturbado com isso, doente mesmo.
Há um tipo de cristão que considero o pior de todos, disparado. É o que mais me aborrece. Tira meu sono. Embrulha meu estômago. O cristão que mais detesto… sou eu!
Não estou brincando. Detesto muitas coisas em mim. Detesto ser menos do que aquilo que Cristo deseja. Tenho nojo de mim quando digo coisas que não deveria e que são incoerentes com a Palavra de Deus.
Detesto quando, na condição de líder, tomo decisões que magoam as pessoas. Detesto quando minhas atitudes pecaminosas magoam os seguidores de Cristo e afugentam os não-cristãos. Detesto essas coisas que vejo em mim.
*Extraído do site Solomon1
*Ao som de The Fire Theft - Carry You
HORA DE ESPERAR.
“Por quê as coisas simplesmente não acontecem para mim?” Eu me vejo geralmente murmurando, cansada de esperar, de tentar me apegar à esperança pelos meses, anos afora, enquanto várias questões continuam sem resposta. Eu anseio por uma ruptura em minha tediosa profissão que faz pouco para acender uma centelha de vida em meu coração. Eu luto para encontrar um propósito significativo onde eu possa centrar minha vida. Eu questiono quando Deus vai finalmente trazer o homem certo na minha vida, para amar e ser amada. Eu olho interiormente para todas as curas, crescimentos e libertações que eu já experimentei e desejo que Deus opere ao meu tempo, em vez do dele.
Muitas vezes eu implorei que Deus finalmente descesse do céu e movesse, falasse, agisse, brilhasse uma luz no meu caminho. Mas na maior parte das vezes em que me achego a ele com minhas questões e inquietações, ele não revela nada instantaneamente. Sim, ele traz esperança, renova minha fé, e me dá força para prosseguir.
Mas naquela mansa e discreta voz, ele também me diz aquelas palavras que eu já ouvi repetidas vezes… minha filha, espere.
E então eu espero. E com o passar dos anos, eu finalmente compreendi que são nessas temporadas de espera e de estar diante dele, entregando meu coração a ele, é que ele realiza suas maiores obras. É no deserto, no ermo, na quietude que Deus pode restaurar a esperança e a visão e escavar meu caráter. É nessa espera que eu passo a conhecer Deus mais intimamente e a finalmente percebê-lo em minha vida.
Aqui estão algumas coisas que eu estou aprendendo ao permanecer caminhando durante meu próprio tempo de espera.
Não tente viver sozinho
Houve um tempo em que eu me debatia pela vida por conta própria, assustada e decidida a não deixar ninguém entrar nela. Apesar de eu almejar ter relações significativas mais que qualquer outra coisa, eu estava com medo de ser rejeitada. Até que eu me tornei uma garota conhecida por nunca admitir uma necessidade, nunca compartilhava com ninguém meus problemas. Se eu tinha lágrimas a derramar, eu chorava atrás de uma porta fechada. Se haviam dores e medos para serem tratados, eu esperava até que ninguém mais estivesse a minha volta. Eu era a pessoa para quem todos chegavam com problemas, mas que raramente deixaria que elas vissem as feridas do meu coração.
Deus não me deixou permanecer ali, mas foi uma longa, vagarosa, e dolorosa jornada aprender que nós não fomos destinados a viver sozinhos, e que Deus de fato designou suas mais poderosas obras para serem realizadas dentro de um contexto social. Se for crescimento, liberdade, maturidade, integridade, e restauração, aquilo que nós estamos atrás – então as pessoas, as pessoas certas, serão uma dos maiores instrumentos que Deus usará.
Agora, semanalmente eu me encontro com um pequeno grupo de mulheres da minha igreja, e quase sempre eu saio maravilhada com o que Deus faz quando nos tornamos reais umas para as outras. Dúvida, confusão, solidão, questionamentos, vitórias, sofrimento, alegria, doença, decepção – toda semana nós tornamos essas coisas notórias, nós oramos juntas, reenfatizamos a verdade umas às outras, nós chamamos as pessoas para compartilhar dons, e nisso vemos Deus se revelando. E ao fazermos isso, nossa confiança de que Deus está trabalhando é restaurada.
Eu não sei como eu aguentei tanto tempo vivendo por mim mesma. Mas agora, eu vejo que o tempo gastado esperando que Deus mova as coisas, nunca é desperdício se nós ficarmos vitalmente conectados com pessoas que nos ajudam a não perder visão de quem Deus é e o que ele está fazendo.
Olhe para o que Deus já fez
Eu mantenho regularmente um diário desde que eu tinha 12 anos, e de tempos em tempos quando Deus parece silencioso e parece que nada está acontecendo, eu pego um ou dois volumes dos meus bagunçados rabiscos e permito-me ser transportada ao passado. Está tudo lá – minha adolescência desajeitada, colégio, escolha da carreira, alegrias e preocupações com alguns relacionamentos românticos, viagens pelo mundo, eu achando meu lugar no Corpo de Cristo, trabalhando em um orfanato na África, me mudando algumas vezes, comprando minha primeira casa, acelerando os passos da fé. Eu leio, rio, e sacudo minha cabeça, e algumas vezes ao fazer isso, a fé entra novamente em meu coração.
É tão fácil perder a perspectiva em um longo período de espera, mas olhar para trás e ver a fidelidade de Deus me dá a coragem que eu preciso para continuar persistindo. Se ele já me trouxe até aqui, por quê eu deveria duvidar de que ele continuará me guiando no futuro? Por quê eu deveria pensar que ele não terminará aquilo que ele começou? Eu sou como os israelitas que vagaram no deserto, que esqueceram tão depressa como Deus os conduziu para fora do Egito e pelo Mar Vermelho, lhes dando maná para comer e água para beber, salvando-os de seus inimigos. Mas eu não quero perder de vista tudo que ele já fez, embora a próxima coisa pareça tão longe.
Pense naquilo que te traz vida
Há alguns anos, eu fiz uma lista de tudo o que queria fazer antes de morrer – uma lista que vai desde pular de pára-quedas até escrever um romance, de adotar um bebê africano até aprender a pilotar uma moto, e até ir a um show da Broadway em Nova Iorque. Eu olhei para a lista outro dia, e fiquei agradavelmente surpresa com quantos artigos eu já havia marcado. Como a leitura de meus diários, minha lista me mantém em contato com quem eu sou no âmago, minha personalidade sem igual e interessante, as paixões que me fazem viver, os medos e desafios que eu amaria superar.
Eu descobri que mesmo em espera e ansiedade, nossos corações podem ser avivados e crescer. Todos os dias nós podemos buscar alegria, crescimento, e oportunidades de viver verdadeiramente. É por isso que hoje eu dou um intervalo no trabalho e vou jogar tênis com uma amiga, depois fazemos um piquenique no parque e escutamos os sons das fontes. É por isso que eu e meus sobrinhos tiramos uma soneca quando estamos assistindo desenhos, comemos uma porção de besteiras e rimos a noite toda. É por isso que eu escrevo e viajo, e tanto remodelar meus móveis – porque essas coisas, na sua pequenez, dão vida ao meu coração. E contanto que haja vida em meu coração, eu sei que eu posso me manter esperando e confiando, aguardando o dia em que Deus trará respostas às perguntas mais profundas contra as quais eu estou lutando.
Aprenda a descansar
“Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus” (Sl 46.10). Eu nem posso contar quantas vezes esse versículo me fez parar em meu trajeto, e descobrir que todos os meus esforços e todos os livros de auto-ajuda do mundo não poderiam falar sobre o tipo de mudança permanente que eu almejava ver em minha vida. E isso retoma Deus dizendo aquelas simples palavras para eu entender, de novo, que, em vez de dar dez passos para me tornar uma mulher de ouro, em vez de me cobrar mais sobre aquilo que eu devo fazer, Deus está me convidando a descansar. Ele está me chamando para um relacionamento com ele, me convidando a conhecer seu coração e seu caráter. Ele está falando comigo do seu amor, do seu prazer por mim, do desejo dele de sentar comigo para e conversar.
Eu sou tão boa em deixar a armadilha da ocupação me consumir, a trabalhar incansavelmente todas as áreas da minha vida com que eu não estou satisfeita. Mas é só quando eu volto atrás de todo meu esforço, e finalmente descanso, que minha alma sedenta fica realmente satisfeita, então são restabelecidas aquela paz e equilíbrio ao meu agitado espírito.
“Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus”. Tudo bem Jesus, eu vou descansar.
Sim, o tempo de espera é difícil. Mas nossas raízes vão fundo ao esperamos e confiarmos em Deus. Assim, se você está esperando por orientação em uma decisão séria, ou esperando que um coração quebrado seja curado, ou esperando por um amor, ou esperando que um caminho se abra na carreira, saiba que Jesus deseja caminhar com você, aqui e agora.
“A vida ressurreta que você recebeu de Deus não é uma vida medrosa, direcionada ao túmulo. É aventurosamente prometedora, cumprimentando Deus como um filho, ‘Qual a próxima, Papai?’” (Romans 8, The Message).
Prometedora. Esperançosa. Confiante. Agora, é por isso que eu quero ser conhecida em meu tempo de espera.
AUTOR: Sherry Funk
*Extraído do site Cristianismo Hoje
*Ao som de Copeland - When Paula Sparks
